terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Atividade Paranormal

    A maioria das pessoas, em sua inocência, tinham medo de certas coisas que hoje não vemos motivo algum para nos apavorarmos, ou até mesmo não entendemos o porquê daquele medo sem sentido. Enquanto a maioria das crianças tinham medo de escuro, palhaços, altura, ou qualquer outro tipo de medo que uma criança geralmente tem, eu tinha medo de poste. Sim, isso mesmo que você leu. Eu tinha medo de poste, poste de luz, poste sem luz ou simplesmente um poste. Esse medo só aparecia quando passeávamos a pé. Se viajássemos ou passeássemos de carro esse medo não se manifestava.   
    -Mira Bernardo, los pajaritos, mira que bonito el cielo, no es bonito!?... (Olha Bernardo, os passarinhos, olha que bonito o céu, não é bonito!?..).
    -POSTE !!!! Ahhhhhhhhhhhh !!!! Mami, me ajuda...Uehhhhhhhh!!!! Uehhhhhhhhhh!!!!
    -Acarmate hijo mio !!!!! Lo que tu tiene ? Porque esse miedo todo?  Tu quiere veni em brazo de mami? (Meu filho, se acalma!!!! O que você tem? Porque esse medo todo? Você quer o colo da mamãe?).      
     -Uehhhhhhhh!!!! Uehhhhhhhhhh!!!! Uehhhhhhhh!!!! Uehhhhhhhhhh!!!! Uehhhhhhhh!!!! Uehhhhhhhhhh!!!!
    Se para vocês, caros leitores, essa cena escrita já é irritante e cansativa imagine quando essa situação realmente ocorria. Infelizmente até hoje não consegui descobrir o porquê desse medo sem sentido. Minha mãe me pedia para que eu explicasse o porquê de tanto pavor e eu apenas chorava ou então quando essa situação não ocorria, ela me pedia uma explicação e eu pedia a ela, já meio choroso, que não tocasse no assunto. Minha mãe, quando eu não queria algo, ela não forçava a barra, apenas me dava um grande abraço e um beijo. O seu jeito carinhoso e compreensivo sempre fez com que meu irmão e eu fossemos mais próximos a ela. Diferentemente do que ocorreu com meu pai.
    Quando esse medo vinha à tona e meu pai estava presente, o medo se tornava maior. Meu pai me forçava a abraçar o poste. Talvez vocês digam: “Mas você precisava enfrentar seu medo.” Vocês disseram muito bem. Eu é que deveria enfrentar esse medo, e não alguém me forçar a enfrentá-lo, pois naquele momento eu não estava preparado. Era uma cena engraçada. Eu correndo do meu pai pela praça e minha mãe dizendo: “M. deixa o menino!!!! Não faz isso com ele!!! Ele tá chorando muito!!!!”, mas meu pai não a escutava, ou então fingia que não a escutava, pois achava que o método da minha mãe era muito falho. As pessoas olhavam assustadas, e não se aventuravam a perguntar o que estava acontecendo. Porém, um dia, uma pessoa infelizmente se manifestou.
    Viajávamos para Peirópolis, ou como eu costumava chamar, “A casinha dos dinossauros”. Na época eu amava ver esses répteis pré-históricos. Era fissurado. Tinha livros sobre eles e brinquedos (Ainda inteiros) de alguns desses répteis. Amava correr e abraçar aquele enorme dinossauro no meio do sítio, porém se houvesse algum poste por perto, nem dinossauro me acalmava. Em uma dessas ocasiões, quando meu pai corria atrás de mim para me forçar a abraçar um dos postes em Peirópolis, uma senhora de meia idade veio ao encontro de minha mãe, e disse o seguinte:
    -Esse é o seu filho!?
    -É sim, meu filho sim... Por quê?
    -Meu Deus, tenho pena de você...seu filho precisa de ajuda.
    -Ajuda? Isso é só um medo que quando crescer passa...
    -Não!!!! Seu filho está possuído minha senhora!!!!
   -Possuído!? Que idiotice é essa? Não acha que está exagerando demais??
  -Seu filho vai destruir sua família quando a senhora menos esperar!!! Vai matar a todos!!!
    Meu pai e eu paramos até de correr para observar a cena. Minha mãe não esperou nem mais um minuto, rapidamente me pegou no colo e saímos acelerados de Peirópolis. Graças a Deus, essa senhora estava errada. Eu não estava endemoniado, além do mais não matei ninguém. Acho que a cena que presenciamos em Peirópolis foi tão atípica que eu nunca mais apresentei medo por postes. Hoje em dia tento imaginar o slogan de trabalho dessa senhora, se é que ainda está viva. Deve estar por ai tentando lucrar com sua psicologia extremamente construtiva.
     "Ei você.Tem medo de alguma coisa estranha? Então se trate de forma mais estranha ainda!!!! Chame a Senhora Amornada. Acaba com seu medo e te dá um trauma de senhoras de meia-idade. Número para contato: 6666-6666. Atendimento 24h."

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