domingo, 12 de fevereiro de 2012

O aprendiz de Isaac Newton

    Quando pequeno um dos dias mais empolgantes da semana para meu irmão e eu era o domingo. Era o dia do presente. Não importava se era data comemorativa ou não, nós sempre ganhávamos um presente, no mínimo um Kinder Ovo (Tinha a má sorte de, no meu ovinho sempre sair um quebra cabeça...), mas recebíamos presentes de apenas uma pessoa. Dona H., a minha avó paterna. Era nosso Papai Noel feminino de todos os domingos. Carrinhos de controle remoto, Helicópteros de controle remoto, carrinhos Hotwheels, caminhões, bolas, cordas de pular, quebra cabeças e uma infinidade de brinquedos os quais tinham uma vida útil muito pequena em nossas mãos, principalmente, em minhas mãos.
    Nossa casa estava se tornando uma loja de brinquedos estragados. Tudo com o qual eu brincava, estragava em poucos minutos. Mas também não era para menos. Todo brinquedo em minhas mãos se tornava um projétil, um foguete da Nasa, um OVNI. Queria que todo e qualquer brinquedo voasse (Na verdade queria que qualquer coisa voasse). Os jogava para cima e observava sua trajetória. Era lindo quando voava, mas horrível quando caia, pois se espatifava em pedaços no chão, ou arranhava o carro de um vizinho rabugento ou, como já disse em uma crônica anterior, acertava a cabeça de parentes, amigos e familiares.
    Em meu prédio, existe um lugar que chamamos de sacada, onde você tem uma vista da vizinhança e do restante do prédio. Nesta sacada minha mãe colocou uma rede de proteção. Como eu era um menino muito ativo eu não controlava meus instintos coloquei meu plano inconseqüente em ação. Escondido, peguei uma tesoura sem ponta (Que eu usava na escola) e cortei a parte direita da rede, um local que minha mãe não poderia me enxergar por causa de uma pequena parede. Comecei a pegar os brinquedos disfarçadamente, pois para ir para a sacada precisa de passar pela sala na qual minha mãe estava. Quando passava pela sala fingia que estava brincando com o brinquedo, mas quando entrava na sacada, os jogava pelo buraco em um pequeno arbusto localizado no térreo, bem abaixo da sacada e me escondia para que ninguém me visse. Porém muitos dos brinquedos se desviavam da trajetória e ou batiam em carros ou quase acertavam em pessoas. Nesse momento um carro se preparava para estacionar e tento imaginar o que o motorista disse a sua acompanhante...
    -Amor, você sabe qual vai ser a previsão do tempo hoje?
    -Parece que vai chuver...
  -Já tá chuvendo...Chuvendo raquetes de tênis, carrinhos, bolas, pedaços de corda, caminhões de plástico com uma pitada de pilhas extra grandes...
    Nesse momento todo o prédio observava a cena, incluindo minha mãe:
    -Bernardo ???
    -Mami!!! Ah.... Você viu? Eu sem querer deixei cair meu brinquedo...
   -É eu vi como esse e todos os seus brinquedos caíram sem querer e como esse buraco se formou sem querer...
    A única coisa que eu sei é que a última coisa que caiu abaixo foi a minha calça, para receber uma boa de uma chinelada. Mais tarde todos os meus brinquedos vieram em uma caixa de volta para mim (Todos em partes). Todo o prédio ficou decepcionado comigo incluindo, obviamente, a minha mãe. Mas existe uma pessoa que me daria os parabéns por ter testado incansavelmente sua teoria com objetos inimagináveis. Você foi um ótimo mestre, Issac Newton. Espero que tenha sido um ótimo aprendiz, pois fiz tudo pela ciência até mesmo acabei com o carro do vizinho... Quem quer ser a próxima vítima?      

Nenhum comentário:

Postar um comentário